Espíritos Recalcitrantes - Vida Nova Cap. XVI

PDF por Nova Ordem de Jesus. 25/01/2016 - 14 min leitura
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A vida terrestre representa para os Espíritos nela encarnados a verdadeira estrada da sua evolução, aos quais incumbe percorrê-la tantas vezes quantas forem necessárias ao aprimoramento moral de cada um. Espíritos há atualmente no Alto, desfrutando a vida livre, feliz, que viveram centenas ou até milhares de existências na carne só neste planeta, afora as que tiveram de viver noutros planos infe­riores a este. Depois de cumprirem as etapas evolutivas de ca­reciam, ou foram promovidos à vivência em mundos mais adianta­dos, ou se encontram ao serviço de Nosso Senhor Jesus, em favor de quantos irmãos espirituais ainda se encontram na Terra.

Chegou porém o momento em que a própria Terra tem de passar por transformações profundas em sua estrutura física, com alterações sensíveis em todos os setores habitados, o que vem sendo planejado há mais de dois mil anos por necessidade de sua própria evolução. É por tal motivo que Nosso Senhor Jesus determinou o chamamento de todos os homens e mulheres à realidade de si mes­mos, despertando seus Espíritos para as necessidades da vida espiri­tual, a fim de que comecem a desprender-se dos interesses pura­mente materiais que tanto os prendem a este plano físico.

Bem sabe Nosso Senhor que esse apego dos encarnados aos interesses mate­riais é uma decorrência natural da vida terrena. É preciso porém, que se desprendam dessas cadeias e comecem a cuidar a sério de seu amanhã que não tarda, para que possam transferir-se tranqüila­mente daqui para o Além.

Este enviado que vos fala sente-se profundamente feliz em ter sido designado para vos dirigir algumas palavras neste propósito, a fim de que possais capacitar-vos do empenho que vai pelo Espaço de Deus, em preservar todos os filhos encarnados de situações provavelmente terríveis ou apenas dolorosas, que podem ser perfeita­mente evitadas.

Desde séculos e séculos que na Terra se fala em salvação das almas em meio às doutrinas aqui ensinadas, sendo este ensino até a pouco nada mais do que uma idéia puramente abstrata. Tem-se indagado por vezes: salvar como? — sem que se tenha dado res­posta satisfatória à indagação.

Os  menos  crentes  por sua vez não encontram sentido na afirmativa de que o Senhor é o nosso Salva­dor, porque só Ele pode salvar, realmente, a todas as almas. Essa afirmativa possui em verdade uma autêntica realidade, e nos tempos que passam ela aí está em pleno vigor através dos conselhos que estão sendo divulgados neste país e que deverão percorrer todo o orbe terráqueo, a fim de que todos os homens e mulheres deles tomem conhecimento e se preparem devidamente para a sua pró­xima viagem de regresso ao mundo espiritual.

Se outros e mais positivos fossem os ensinamentos religiosos difundidos na Terra, talvez estes conselhos não fossem necessários, porque os seres humanos estariam permanentemente preparados para empreenderem a qualquer momento a sua viagem de regresso. Infelizmente, porém, aqueles ensinamentos, de tão superficiais, não chegam a incutir na mente dos encarnados a realidade de sua vida transitória na Terra, encarnação após encarnação, deixando os adep­tos apenas cientes da existência de um Deus por vezes vingador, de Jesus, seu filho unigênito, em cujo poder muito poucos che­gam a acreditar. Temos todos verificado que as pessoas que real­mente pensam na misericórdia do Senhor Jesus, voltam seus pensa­mentos para o sacrifício do Calvário de há dois mil anos sem che­garem a meditar a sério na grandeza dessa misericórdia que não cessa um dia sequer de envolver a todos os filhos encarnados.

Com a aproximação do momento decisivo para a operação-trans­formação, deliberou o Senhor mandar emissários a Terra a despertar individualmente a todos, e eis o que estamos fazendo, percorrendo todos os caminhos e regiões habitadas, e batendo de porta em porta como quem tivesse de despertar os moradores para algum grande perigo iminente que estivesse a pique de os atingir.

Esse perigo existe realmente, meus queridos e não é outra a nossa tarefa em pro­curar despertar-vos do sono da matéria que estais vivendo, o que esperamos conseguir por meio da palavra escrita e outros meios ao nosso alcance.

Poderá algum filho argumentar dentro dos limites de seu conhe­cimento, que não haverá necessidade deste chamamento a que se devotam muitos milhares de mensageiros do Senhor, visto como sempre se morreu na Terra sem necessidade de conselhos espirituais.

Quem assim argumentar, por hipótese, está claro não deixará de estar certo, porque  em verdade sempre se registraram desencarna­ções, normalmente  ou  não,  sem que uma preparação se fizesse no sentido do esclarecimento dos encarnados. Está certo o argumento do ponto de vista  da Terra, mas não o está do ponto de vista do Alto.

Exatamente pela falta de preparação dos encarnados acerca de sua origem, finalidade e destino, é que tem resultado o desper­dício de existências e mais existências para milhões de almas na Terra, regressando quase todas ao Espaço em condições algumas vezes inferiores àquelas em que reencarnaram.

Disso tem resultado a falta de progresso daquelas almas na Terra, tendo necessidade de aqui voltarem seguidamente sem nenhum ou quase nenhum proveito para a sua evolução.

As circunstâncias são agora outras, porém, em face das modi­ficações a serem introduzidas na estrutura da Terra e na vivência dos Espíritos encarnados do próximo século, tornando-se necessário afastar deste plano quantos Espíritos já esgotaram os prazos que lhes foram concedidos para evoluírem na Terra — e quão longos tem sido! — tendo por isto de passar a outros planos de acordo com a sua categoria.

Estou a adivinhar uma pergunta que poderão formular alguns leitores menos compreensivos, desejosos de um esclarecimento acerca de como se poderá identificar esses Espíritos que persistem em viver afastados de seus compromissos e deveres espirituais.

Eu lhes deixarei nestas linhas esse esclarecimento, porque muito útil poderá ser igualmente para todos os leitores, habilitando-os a, por sua vez, esclarecerem os demais.

O processo é o seguinte: todo encarnado, homem ou mulher, cuja maneira de viver entre em cho­que com os postulados da sociedade humana; que, de modo próprio, incide e reincide na infração a esses postulados, ou para ser mais claro, que engana, prejudica, ofende o semelhante, está incorrendo não apenas na infração aos postulados da sociedade de que faz parte, como também das leis de Deus que mandam amar aos seme­lhantes como a nós mesmos.

Criaturas que por interesses malsãos vivem a se aproveitar da confiança, boa fé ou ignorância dos semelhantes para os prejudica­rem, estão desde logo identificadas como Espíritos recalcitrantes na prática do erro, uma vez que sua consciência lhes diz continuamente que tais atos não são dignos nem corretos, e que um dia virão a pagar por eles. Isto é a pura verdade, visto como a lei nos ensina que teremos de resgatar todas as dívidas até ao último ceitil. Todas as criaturas nas condições descritas, assim procedem por inferiori­dade moral, por maldade, usando de astúcia ou  de  violência  para  prejudicar  seus irmãos, contrariamente ao que no Alto prometeram antes que lhes fosse concedida a presente encarnação.

Não sendo então a primeira vez que assim procedem, nem tal­vez a décima para muitos destes irmãos, tem de todo esgotada a tolerância que lhes fora creditada e terminarão desta vez suas vindas a Terra, onde tão pouco conseguiram de útil para o próprio progresso. Estes irmãos recalcitrantes não poderão, evidentemente, fazer parte de uma humanidade correta, cumpridora dos seus deveres espirituais de amor e bondade como será a humanidade do pró­ximo século, porque sua permanência na Terra constituiria nada menos que uma mancha negra sobre uma superfície alvanescente, característica dos atos e pensamentos da nova civilização que virá habitar a Terra no decorrer do próximo século.

A humanidade que já se encaminha para a Terra, distinguir-se-á da atual pelo alto nível moral de seus pensamentos, os quais, reu­nidos na atmosfera da Terra, hão de formar uma espécie de novo satélite destinado a fornecer aos viventes de então a força magnética de que eles possam carecer em seus empreendimentos. Será esse novo satélite ao mesmo tempo, um regulador indispensável da vi­vência planetária, assim como ao atual — a Lua — incumbe regular um sem número de atividades em vários setores da vida terrena.

Aí tendes meus queridos irmãos encarnados, em breves traços, um quadro que vos poderá habilitar a identificar ao vosso redor os irmãos cujos atos os impedirão de voltar a Terra por todo o sempre, uma vez que terão de seguir um caminho que os levará a encarnar em mundos onde poderão ensinar algo do que aqui aprenderam, a quantos outros filhos de Deus nesses mundos sofrem ainda a lapi­dação de seus Espíritos primários.

Eis o que veio dizer-vos por determinação do Senhor Jesus, um irmão vosso que também palmilhou como vós os mais áridos e sombrios caminhos da Terra, ao longo dos quais tanto amou e so­freu em prol de sua evolução. Hoje, distinguido com a graça do Senhor, aqui está e se despede - LÉON TOLSTOI

 

Not. biogr. — Léon Nicolaievitch, Conde de Tolstoi — 1828-1910. Ro­mancista e moralista russo. Nasceu em Iasmaia em 9 de setembro de 1828. Ficando órfão muito cedo, teve um preceptor francês, Saint Thomas, apresen­tado em suas recordações com o nome de Jerônimo. Em 1843 entrou para a Universidade de Kasan, dela se retirando quatro anos depois para Iasmaia Poliana, sua terra natal, onde pretendia residir. Em 1851, porém, foi mobili­zado para o Cáucaso, sendo nomeado oficial de artilharia na guerra do Oriente. Aí escreveu sua primeira obra “A infância”, publicada em 1852 com as iniciais L. T. Sua atuação destacada no cerco de Sebastopol e na batalha de Tchernaia, valeu-lhe a nomeação para comandante da sua divisão. Terminada a guerra fixou-se em Petrogrado, onde se dedicou à literatura, es­crevendo aí várias obras. Em 1858 percorreu vários países da Europa, onde escreveu mais algumas obras. Regressando à sua cidade fundou uma escola modelo para os camponeses e uma revista pedagógica, sendo nomeado juíz de paz. Casou-se em 1862, em cuja vida tranqüila do lar, escreveu “Guer­ra e Paz” e “Ana Karenina”, duas obras que bem prenunciavam as suas idéias futuras. Travando conhecimento com dois camponeses, Soutaiev e Bondarev, fundadores de duas seitas religiosas destinadas a demonstrar que a renovação do mundo se fará por meio do trabalho manual e individual, Tolstoi abando­nou o mundo para se dedicar aos trabalhos da terra com suas próprias mãos. Tornou-se então vegetariano, vestiu a blusa do monjik e renunciou aos bens, mas não abandonou a pena, escrevendo a seguir várias de suas obras importantes, como: “Senhor e servo”, “A sonata de Kreutzer”, “O poder das trevas”, “A morte de Ivan de Illitch” e algumas outras. A 20 de dezembro de 1910, durante uma excursão iniciada dez dias antes, Léon Tolstoi desencarnava em Astapow, extinguindo-se aí uma vida inteiramente devotada ao aperfeiçoamento da maneira de pensar e de viver dos seus con­temporâneos. Suas máximas prediletas eram: “Amai-vos uns aos outros” e “Não resistais ao mal pelo mal”. Para Tolstoi toda a esperança numa trans­formação social num sentido melhor, residia na reforma moral dos indiví­duos. Suas “Obras completas” foram publicadas em 18 volumes (1893-1903).

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