Chave Espiritual da Salvação - Vida Nova Cap. XVIX

PDF por Nova Ordem de Jesus. 31/01/2016 - 15 min leitura
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Depois de alguns séculos de ausência deste mundo terreno em que tanto consegui aprimorar o meu Espírito, eis-me novamente no vosso meio em Espírito, para dirigir-vos, primeiro as minhas saudações fraternais  a todos vós que ainda vos sentis prisioneiros da carne, e em segundo, para dar-vos também a minha palavra de con­fiança e de fé na grandiosidade da Misericórdia Divina.

Deixai que me expanda um pouco em minha grande alegria, pelo fato desta minha presença se verificar precisamente neste grande e belo país que amei como se fora a minha pátria, porque em verdade não serei capaz de distinguir a qual dos dois países eu mais amei: se àquele velho reino em que nasci, se a este país aonde fui conduzido por Forças Superiores para aqui edificar a minha personalidade. A verdade é que Portugal e Brasil ocupam lugares iguais em meu coração de antigo sacerdote da liberdade e do amor a Nosso Senhor Jesus Cristo! Benditos sejam pois aqueles tempos de lutas e sofrimentos morais, pelo bem, pela luz e felicidade que me proporcionaram.

Bem certo é que não foi aquela a minha única passagem pela Terra, filhos meus. Outras muitas eu as tive em regiões várias do vosso mundo, durante as quais eu consegui lapidar a jóia que hoje ostento como Espírito inteiramente dedicado ao bem da humani­dade. Foi, entretanto, minha última existência terrena aquela em que desempenhei missão sacerdotal em várias cidades do vosso gran­de e belo país, e em apenas dizê-lo nestas linhas, todo o meu ser se volta para as lutas desiguais em que a fundo tive de me empe­nhar para conseguir a liberdade de seres humanos iguais a nós, que o mercantilismo dos primórdios tanto se empenhava em explo­rar. E para quê? meus filhos. Exclusivamente para amealhar o ouro e outras riquezas em que este país tanto fora e continua a ser excepcionalmente pródigo.

Desculpai filhos meus esta longa digressão em causa própria, porque outras são as razões de minha presença na Terra, todas elas motivadas pelo empenho em que se encontram todas as Forças Su­periores do vosso mundo, sob a chefia do Nosso Amado Jesus, o Sol de todos os Espíritos de Deus em tarefas de serviço entre vós. Não vim até aqui, pois, para vos falar de mim; a circunstância entre­tanto, de me encontrar novamente atuando  no  solo  brasileiro,  trou­xe-me num relance à memória todos os fatos  em  que  fui parte há vários séculos, e eu instintivamente me transportei a eles. Mas va­mos ao que aqui me trouxe meus caros irmãos encarnados, a quem me acostumei a chamar-vos filhos.

Instado que fui por Nosso Amado Jesus para apoiar na Terra a Grande Cruzada de Esclarecimento que aqui se desenvolve, é claro que este fato representou desde logo para mim um motivo para eu prestar novo serviço ao Senhor no solo terreno, tendo eu decidido com o coração repleto de alegria, minha partida para cá no mesmo instante. Nosso Senhor, porém, conhecendo como conhece os meus dotes de velho combatente pela sua causa sagrada em outros tempos, houve por bem me fazer justa ponderação. Disse-me então com aquela afabilidade que todos vós haveis de conhecer um dia:

— “Meu filho muito estimado: a missão que te peço desem­penhares desta vez na Terra, é diferente daquelas que noutras eras desempenhaste com brilho inexcedível. O que agora desejo merecer de tua bela inteligência e dedicação à nossa causa, consiste apenas na transmissão duma mensagem do teu grande coração ao coração dos meus filhos presentemente encarnados na Terra. Necessito que todos se despertem em face dos trabalhos que lá se iniciam para a transformação da própria estrutura terrena, sendo provável o regres­so de boa parte deles ao nosso plano, em conseqüência mesmo desses trabalhos. Minha grande preocupação está, então, em que esses filhos sejam tomados de surpresa e tenham de partir na inconsciên­cia do seu estado, e se dispersem no infinito, onde só muito dificil­mente os poderíamos recuperar. Assim, filho do meu coração; ro­go-te que vás também a Terra, onde dispomos da organização ne­cessária para deitares também a tua luminosa palavra ao coração dos filhos encarnados, onde sei que o teu nome e a tua autoridade gozam e gozarão eternamente de um prestígio singular.”

Eis-me então entre vós, meus queridos. Muito feliz eu me sentirei se a minha palavra sincera e franca tiver o mérito de pene­trar em vossos corações e neles puder deixar a idéia que de Nosso Amado Jesus eu recebi para vos chamar à realidade presente. É um pouco diferente a minha missão de agora em relação àquela que em tempos desempenhei como sacerdote. Então, minha preo­cupação cifrava-se em atrair  as almas para Cristo e para Deus, sem a urgência que hoje se requer. Naqueles tempos minha palavra podia flutuar em torno dos ouvidos materiais e ir penetrando len­tamente nos vossos corações. Hoje o caso é diferente, filhos meus; há urgência em que os vossos corações se abram sem reservas ao que venho dizer-vos, em face do que se inicia no solo do vosso mundo e certamente vos atingirá.

O que eu me empenho hoje em dizer-vos, meus filhos, é que há necessidade de todos vós estabe­lecerdes estreita ligação com as Forças Superiores que orientam e dirigem os trabalhos de transformação da Terra, a fim de que no momento de serdes atingidos não tenhais nenhuma dificuldade a vencer: sejais recebidos confortavelmente pelos vossos maiores do Espaço e confortavelmente acomodados em companhia de quantos vos seguirem.

Então, para que não surjam problemas quanto à maneira de estabelecer a necessária ligação com as Forças Superio­res, convencionou-se no Alto que todas às vibrações emitidas na Terra sejam dirigidas a Nosso Senhor Jesus, para que assim ende­reçadas sejam distribuídas aos elementos das Forças Superiores disse­minadas em todas as regiões do mundo terreno, preparados para receber todos os Espíritos que deixarem a Terra há seu tempo.

Entidades bem mais luminosas de que esta que vos fala, já trouxe a sua mensagem no mesmo sentido, as quais encontrastes nas páginas precedentes. Minha palavra tem então o objetivo, não apenas de confirmar quanto vos foi dito, como ainda de juntar o meu testemunho a respeito de quanto vos quer e estima o Senhor Jesus, desejando prover a todos dos meios de se precaverem contra possíveis sofrimentos ou aflições que deseja evitar a todos os seus guiados terrenos.

O que vai acontecer neste vosso pequeno mundo, um dos me­nores em que evoluem seres humanos no Universo, já aconteceu em circunstâncias idênticas, sendo mesmo parte do progresso planetário geral. O que, entretanto, determina este grande empenho do Se­nhor Jesus em enviar um sem número de emissários ao vosso meio, é o seu grande desejo e preocupação de evitar sofrimentos a todos vós quantos receberdes e aceitardes a sua recomendação.

Todos sabeis de sobra que ninguém pode ficar eternamente na Terra, e que esta não passa de um campo-escola aonde todos nós viemos buscar conhecimentos e experiência que se transforma­rão em luz para os nossos Espíritos. O que na Terra existe por­tanto, seus belos mares, rios, montanhas e florestas, é que pode­remos dizer que permanecerão na Terra porque lhe pertencem.

Já não diremos o mesmo com as flores que vos enfeitam os lares, visto como, cumprindo seu próprio determinismo, elas nascem, abrem, vicejam e morrem para que em seu lugar outras flores desa­brochem na primavera seguinte. Considerai-vos então como flores que também sois, flores espirituais que nascem na Terra para um determinado período de vida, ao fim do qual desaparecereis da superfície terrena. Com a diferença apenas de que as flores, sendo seres inconscientes, cumprem também inconscientemente o seu belo destino, enquanto vós, seres humanos conscientes da vossa perso­nalidade, ao desaparecerdes da superfície terrena desferireis um vôo de maior ou menor extensão, segundo a preparação que para o mesmo houverdes feito durante a vossa permanência na Terra.

Assim pois, não deve ser o fato de terem os seres humanos de deixar a Terra pelo fenômeno da morte, o que deve importar a todos daqui para o fim do século.

O que unicamente deve consti­tuir a preocupação de cada um deve ser a maneira e o momento de partir. Nosso Senhor se empenha em incutir em todos os cora­ções a necessidade da oração diária, por ser a única maneira de proporcionar ao Espírito encarnado uma ligação firme, segura, entre a Terra e o Céu, no ato em que tiver de se desprender dos liames da matéria.

Perdoai-me meus filhos queridos, se não vos trago mais aque­las imagens algo violentas, que imprimiam aos meus sermões de outrora até uma certa irreverência para com o Criador, a quem al­gumas vezes tentei responsabilizar pelos desacertos dos homens de então. Os meus sermões armavam-se daquelas imagens por vezes rudes, porque só assim conseguiam abalar a consciência algo endu­recida dos homens que apenas esta infeliz idéia alimentavam em seus corações: enriquecer rapidamente e de qualquer maneira, mes­mo à custa do sacrifício e escravidão de seres iguais a nós, apenas desprotegidos dos homens. Hoje não necessito mais de empregar as imagens nem as rudes expressões de outrora. Dirigindo-me a Espíritos já possuidores duma regular luminosidade, que é a carac­terística da grande maioria dos meus leitores, eu tenho expressões do mais puro amor do Nosso Amado Jesus, que a todos vos deseja receber em breve nos planos do Além, onde acomodações as mais confortadoras vos estão sendo preparadas.

Desejo encerrar, então, o meu recado com a chave espiritual que aqui vos deixo, a qual me foi entregue pelo Senhor com este obje­tivo. Ao sentirdes algo de extraordinário em torno, seja ou não o acontecimento decisivo, ponde o vosso pensamento no Senhor Jesus e dizei de todo o coração:

Senhor Jesus!

Aqui estou às vossas ordens!

Salvai-me em vosso puro amor!

Aqui se despede saudosamente de vós e da Terra, o Espírito do - Pe. ANTÔNIO VIEIRA

 

Not. biogr. — Pe. Antonio Vieira — 1608 - 1697 — O pregador jesuíta mais notável do seu tempo, e o maior orador sacro do século XVII. Nasceu cm Lisboa a 6 de fevereiro de 1608, filho de Cristóvão Vieira e D. Maria de Azevedo. Aos sete anos de idade seguiu com seus pais para o Brasil, desembarcando em Salvador, Bahia, após uma viagem tormentosa, onde seu pai ia ocupar um cargo no governo. Na Bahia ingressou no Colégio da Companhia de Jesus, onde se despertou sua grande vocação religiosa ao ouvir um sermão do padre Manoel do Carmo, em 1623, sobre as penas do inferno. Em 1625 Antonio Vieira fazia os seus primeiros votos, contra a vontade da família que tudo fizera para o demover da idéia de professar. Seu talento desenvolveu-se tão precocemente que aos dezoito anos de idade já era encar­regado de redigir a correspondência em latim ao Geral da Ordem em Roma. Com essa idade foi designado para lecionar no Seminário de Olinda, Per­nambuco, como professor de retórica, ali comentando Séneca e Ovídio, dando extraordinário impulso ao desenvolvimento de suas brilhantes faculdades inte­lectuais, e elevando-se seguidamente a todos os estágios da Ordem até que, em 1635, foi ordenado sacerdote, passando a exercer então as funções de pregador, em que tanto se notabilizou. A partir dessa época a vida de Anto­nio Vieira enriqueceu-se de episódios em que este Espírito notável foi cha­mado a atuar inclusive na área política, como conselheiro e embaixador de D. João IV de Portugal, e mestre e confessor do príncipe herdeiro, D. Theo­dósio.

Resumindo a prodigiosa vida do Pe. Antonio Vieira, assim escreveu Eça de Queiroz:

“A sua existência foi uma das mais ativas e ilustres do seu tempo. Grande pregador, grande político, grande escritor, missionário, grande colo­nizador, esteve envolvido nos maiores negócios, tratou com os maiores perso­nagens e trabalhou pelas maiores idéias da sua época. Os seus magníficos sermões arrebatavam tanto a gente inculta do Brasil, como encantavam em Roma o sábio e requintado mundo dos prelados romanos. Depois de ser confidente dos reis e dos papas, de ter conhecido as grandezas do mundo e as do alto saber, morreu com a pobreza e a simplicidade de um místico na capital da Bahia.”

O Pe. Antonio Vieira desencarnou em Salvador, Bahia, no ano de 1697, cercado das maiores demonstrações de carinho e respeito por parte do povo e das autoridades brasileiras.

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